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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Inversamente igual







Lembro-me bem do dia que te olhei e não senti nada. Engraçado, né? É a mesma sensação, inversa, abduzida do momento no qual te vi pela primeira vez e sabia que, sim, eu sentia algo. Não sei se acontece com você, mas o difícil mesmo nem é admitir que já acabou. O difícil é entender que, talvez, não tenha nem começado. Não do jeito que era pra ser. Quando se hesita demais, também se perde demais. Onde há exagero, há falta. Onde há vontade, há intensidade. Tudo que é intenso, um dia acaba. Torna-se apenas tenso. Num lenço. Cheiro de incenso.



Enquanto o cigarro queima e se mistura com o cheiro árabe que corre pelo quarto, sinto que meus olhos me enganam. Meus ouvidos mentem pra mim. Meus sentidos me traem. A ilusão nunca é doce. No máximo, agridoce. 
Na gramática, o sujeito faz a ação e o objeto é passivo. Mas, vem cá, me explica uma coisa: se eu vou com você, você vai comigo. Não? Nem sempre. Com você é separado. Comigo é junto.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Diálogo entre mim e o órgão que pulsa




– Ei, vem cá, vamos conversar.
– Não.
– Eu quero te contar uma coisa.
– Não me interessa.
– Você é teimosa demais. Nunca me ouve.
– Tá bom. Eu não sou teimosa, mas vai, cospe.
– Não fala assim comigo. Eu sempre estou aqui apertado e você não parece fazer questão de me ajudar.
– Ah, você merece, viu. Nunca me obedeceu e agora que vir conversar. Qual é! O que você quer me contar?
Na verdade, não tenho nada para contar. Você só precisa saber que eu nunca te obedeci mas também nunca mandei em você. Se você fez o que eu te mostrei, foi escolha sua. Eu bato, você escolhe.
– Como ousa?
– Eu sou ousado.
– E idiota.
– Sou confuso, mas não sou idiota.
– Essa sua confusão me irrita tanto.
– A confusão pode começar aqui, mas você continua ela aí. Muitas vezes não tem nem confusão. Você que não admite.
– Você está me confundindo.
– Admita. Você gosta de uma confusão. Mergulha de cabeça e eu, bom, eu vou junto, né? Você sabe disso porque me sente pulsando em todas as suas partes. Rápido. Devagar. Forte. Devagar. Você me quebra e depois chora sobre meus pedaços, tentando me montar. Como se fosse fácil assim. Ainda estou te confundindo?
– Não. Você tem razão – Ah, que ironia! – Tem coisas que eu queria admitir. Mas outros sentimentos me impedem.
– Quais sentimentos?
– Ciúme, por exemplo.
– Ah, esse eu já tentei puxar papo, mas não adianta. Ele é um problema para mim também. Só que você é quem deveria manter tudo sob controle e não deixar ele chegar perto de mim. Quando ele chega, disparo. Faço você ficar quente e vermelha.
– É, você não ajuda mesmo. Só piora. Não sei como me livrar dele. Me ajuda?
– Era sobre isso que eu queria conversar com você.
– O quê?
– O produto das minhas pulsações e sensações, ah...o que é proveniente de mim, meu bem, nunca é ciúme. É outra coisa. Pare de se enganar. Você sabe muito bem o que quer.
– Sei?
– Sabe.
– O quê?
– Já disse que você sabe.
– Mas...
– Sem ‘mas’.
– Com ‘mas’. Sempre tem um ‘mas’.
– Não, sempre tem um ‘mais’.
– Mas...?

domingo, 22 de janeiro de 2012







Inclusive, acho que a gente conversa tão bem no silêncio.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Escuta...





Meu compromisso com você não é banal. É moral, é emocional e corporal, porém fatal.

Duality







There's no place I'd rather be than here. I like the turbulence. So, won't you spin around me? You make me dizzy but I like watching you come and go. It's the unknown that kills me and makes me stay. So, won't you stop for a while and kiss me? Go. Spin. Turn around. Come back. Go. Come.

contra/diga/me





Já percebeu o quanto sou contraditória quando o assunto é você? Sou mesmo. Não, não sou! Você vira meu mundo de cabeça para baixo e eu sou a contraditória, a incoerente? Como ousa entrar e bagunçar minhas gavetas, revirar meu estômago, contorcer minha índole, subverter meus conceitos e depois questionar minha sanidade? Não sabe que é você que enlouquece meus sentidos e faz tremer meu chão. Ah, então vem! Venha e faça o que quiser de mim. Eu gosto de me perder em você, afinal, é lá que eu me acho. Nunca disse que eu era uma pessoa fácil, muito menos simples, mas você quer me ler. Você gosta de deixar seu paladar me provar, de sentir seu corpo arrepiando enquanto eu te devoro e rasgo minhas páginas. Você não sabe, mas a medida que te quero é 'a gosto'. A meu gosto. Eu gosto. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Trouble




There's something you should know about me

I am trouble, I am it.
I am never goin' to be who you wish I were


Yeah, even I miss myself sometimes
Don't try.
You'll never get it.
I don't get it.
I'm better off without myself - I know.
I'll never fit your mold.




With me it's like a roller coaster, baby.
You're welcome but get ready for the ride


I'm not saying I'm proud
I'm not saying I'm right
I'm not saying anything.
In fact,
I 'am' saying something
through silence
I'm the hardest book you'll ever read
I'm sensitive and will push you away
I'm rude and independent.
I'm ugly and selfish.


Can you handle that?
Let me off
Once more.
And I'll kiss you.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011





Já reparou como nada do que você tem é seu?
Já reparou que você acredita em babaquices e 
ainda as repete? 
Já reparou como você é incapaz de raciocinar sozinho?
Não, né?
Já imaginava.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

The Window is Open



you say there's something blue
open the window, you
will see there's something new


I've been through this before
I know you want to be
the beauty
is inside

but you only see it when

your window is open


don't fool yourself 
you can't pretend you're dead
feed your soul
find what feeds you
I'll go down there for you
as long as you promise you
will come up with me


you only see it when
the window is open






(I am stuck in the middle of this unreasonable chaos)


if I go I'll be dead
if I stay I'll kill you
What if I go?
What if I stay?
We'll never be whatever we want to be
I'm sorry, darling
I'm free.


This is so 2007.







Conversas agora são virtuais.
O olhar é através de uma foto.
A doçura da voz só se ouve pelo celular.
Você não precisa sair da sua casa mais. Tem delivery.
O problema é que você mergulhou na sua confusão e se acomodou também em sua vida sem graça.
E você nem percebe.
Um abraço, um beijo, um olhar e um sorriso você não está disposto a entregar. 
Pior ainda, nem receber.
Penso que, talvez por essa razão, você agora olha para mim e não me vê.
Você tem medo do quê? Me diz.
Se envolver é algo tão "two-thousand-seven", não é?
Comodidade é o novo preto.




Uma vez eu escrevi para uma pessoa para ela vir comigo, segurar minhas mãos e não me soltar. Eu sabia que poderia nunca mais ser do jeito que já tinha sido e ainda indagava se ela acreditava que eu precisava dela mas que seria capaz de deixá-la. 
Para tudo existe um risco.
Uma escolha.
Uma consequência.
Não existe uma forma de forçar ninguém a gostar de um outro alguém.
Ainda bem.
Mas o seu medo me revolta e me volta, se é que você me entende.
Quem sabe na volta eu te encontro de novo?


Vou desligar o celular...
e você também. Daqui, sabe?
Adoro essa modernidade.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Goosebumps




I thought I'd never feel this way again.
It gives me goosebumps when I think of you
And I do it quite often.
I feel you coming from under my skin
and it's as if you could make my heart beat a little faster.
It's quite impulsive
I know.
But I don't care.
Your smell makes me forget about
everything for a second or two.
I came unannounced and
I'm not going to lie
I plan to stay.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Insônia




Odeio ser irônica
A ironia só é boa quando não tem que explicar.
Como é bom falar o que quero e 
não ter que me desfazer em três.

Odeio ser insone.
Não durmo porque penso.
Penso demais em querer
Quero demais por pensar.



Não quero mais.

É inevitável não me perguntar - como um sussurro
ao pensamento - todas
as vezes, escute bem, todas as vezes
que sinto o seu abraço...
"Quando vou poder te ter?
Me diz?
Curiosidade, só."

 
É maldade?

Quanta dualidade!
Acho que é ironia demais.
Sei lá.
Deixa pra lá.
Vai pra lá.
Vou adormecer.
Quem sabe vou te ter ao menos
em meus sonhos.
Ah...
insônia.


(Jey)
 

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Você.

Eu não quero nada além do óbvio. Eu quero mais.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

' Cause Right Is Something

hey ...
you were so not paying attention
I was looking at you all along
though it couldn't be
it was not the case

hey ...
I don't know what I'd do for a kiss
but I could walk some
thousand miles to taste it
even if only once.

hey ...
don't panic
I'm not in love
I don't want to have you
as in 'you belong to me'

but hey ...
I wish I could have you
even if just for a day
so you would pay attention
and come along.


(Jey)

Mesma história de você

Eu não quero mais ouvir.
essa mesma história de você
já me cansei.


Sua defesa me desarmou
Seus ataques, um desamor
meu amor
se transformou.

Pra que ter respeito pelo que já foi
se você não tem respeito pelo que é.
Mude o assunto, por favor
já não quero mais sentir
e nem ouvir
Essa mesma história de você.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

insomnia



when everything seems alright and you feel like saying 'no'
everyone will say you're crazy
isn't it a bit strange?

It is hard to let something go
it is even harder to let someone go
especially if this someone is special
wonderful
amazing

why?
I don't know the answer.
once more.
It kills me.
I should know special people are not everywhere.
I should also know that when they get in my way
they are not mine
they are not supposed to become what I should be.
so that's when I have to let them go
and they will continue to be special
although away from me.

domingo, 20 de dezembro de 2009

welcome.




Welcome to the end of
the line
you must feel the way I feel now.
It's driving me crazy
Oh, it gets to you
eventually
and then you finally get it
it's the end.

ok, it was the right thing to do
but what do I do with me now
where do I keep my feelings
why should I get rid of them
please, won't somebody hold me
for being honest
and now alone.

I wish things could be easier
I wish we didn't have to lose
in order to win
I wish we came with instructions
so we wouldn't screw up so many times
over and over again.
Forgive me, baby.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Pecado Inefável
Música e Letra: Jey
(2007)

eu não sei o que dizer
quando mais se deseja dizer
é quando as palavras aprendem a se desfazer
não posso falar
correr o risco de inventar
soprar ao vento,
ventar

então me diz o que fazer
não se pode subverter
converter
entender...
e o poder?

tentar é voar
pecar é arriscar
ou contrariar

não se sabe ao certo o porquê
de uma pessoa não saber o que dizer...

e ter tanto a viver.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Are you a coward?




Don't go.
I want you to stay here with me
Look into my eyes
and tell me what you see.
Am I who you think I am?
Kiss me.
Will you ever believe me?
Will I ever forgive myself
if you seem not to forget?
I wonder if I have forgotten.
It should be easier.
We're selfish
We long for love
When we find it
We run away from it.
Cowards!
No!

I believe we're looking for satisfaction
and attraction may win over passion.

If there's love...
Just be true to yourself.