Depois não venha me dizer que eu não tentei. Depois não venha me dizer que não te quis. Depois não venha me dizer que não te desejei você o tempo todo. Aqui. Comigo. Mas você quis experimentar com outra pessoa. Você quis estar de um jeito que eu não quis estar. Você quis entender um assunto que não compartilho com você. Como ousa? Como ousa invejar o que tenho com outra pessoa mas desejaria ter com você? Como quer que eu entenda algo que você não fez questão de saborear comigo? Não sei. Só entendo que você não é que eu, inusitadamente, avaliei que fosse. Porém, eu fiz o orçamento e, vou te contar, é caro. Mas quem não quer pagar?
Prometo não prometer que vou te amar para sempre Prometo não prometer que nunca vou te decepcionar Prometo não prometer que serei sua até meu último suspiro Prometo não prometer que nunca vou errar Prometo não fazer promessas vãs
Prometo ficar até onde der pra ficar ou ficar até onde der
Prometo te carregar até quando nossas almas forem leves
Prometo te fazer sorrir até quando o riso for fácil
Prometo chorar até quando houver motivo para cessar as lágrimas
Prometo tentar até quando tentar não for uma promessa
Prometo prometer só o que posso prometer até quando ficar, carregar, sorrir, chorar e tentar for só uma consequência do meu eu com você.
A textura da sua pele suga a minha loucura enquanto toda a intensidade do meu corpo vibra com sua libido. O seu gosto é inconfundível e minha língua procura sua boca como um cão farejador. O meu guia é sua vontade. Sua vontade é meu tesão. Seu tesão é meu prazer. Seu prazer é meu. Não te gosto além do óbvio. Odeio o óbvio. É anormal o tanto que meu desejo procura suas curvas, seu cheiro, seus encontros descompassados e desarrumados onde me encontro. Me encontro em você e você é minha perdição. Então me provoque. Seja minha tentação porque eu quero provar para você que a minha intenção não é boa. Ah, muito pelo contrário! Eu sou má. Eu quero devorar seus desejos mais secretos e me embriagar, ficar bêbada de você. E a ressaca? Foda-se. Se for para viver com essa ressaca de você, eu já me condeno à morte.
O jeito que você olha pra mim deveria ser considerado imoral ou, pelo menos, eu deveria receber algum tipo de taxa cada vez que você me olha assim. Ele me desconserta, sabe? Algumas vezes eu consigo olhar de volta e ficamos ali durante aqueles segundos que parecem anos, envoltos em um mundo só nosso, revestido por essa enorme bolha que resolvemos explorar. Outras vezes eu desvio o meu olhar do seu porque não quero ler o que ele me diz, não quero admitir que ele tem todo esse poder sobre mim, não quero te dar o gosto de ver formar aquelas salgadas e irritantes lágrimas que cismam em brotar no mesmo cantinho e sair trilhando aquele caminho sulcado - e imaginário - que as outras teimosas já deixaram ao passar. Não me olha desse jeito se não for pra fazer meu mundo mudar de cor ou fazer o barulho dos carros e do caos da cidade desintregrar em um silêncio ensurdecedor, ou minha pupila dilatar e meu coração bater daquele jeito que você gosta de ouvir quando repousa seus ouvidos no meu peito. Não me olha assim se não for pra me dizer - e sem gritar - que você me quer. Olha, eu quero que você me veja, que me enxergue. Afinal, acho que até hoje só você não entendeu a língua que meus olhos falam quando dizem que...é você.
Eu erro mesmo. Admito. Não vou fazer aquela pergunta cliché de 'quem não erra, afinal?' porque andei pensando e vi que esse tipo de questionamento é inteiramente infundado e, por que não, patético. É aquela coisa do ser humano de querer jogar a responsabilidade dos seus atos no outro; de justificar um erro com outro; de filosofar sobre o erro - ops, acho que estou nessa lista também. Que mania errônea! Olha aí, errando de novo. Está errado errar. Muitas vezes está errado acertar. Eu já vi de tudo. Já vi gente acertar errando e gente errar acertando. Até o errado, muitas vezes, de tão errado, acaba ficando certo. No final das contas, todo mundo erra mesmo e isso nunca foi novidade pra ninguém. Eu só não gosto de quem se acomoda no erro até ficar bem confortável; não gosto de quem pensa que só porque errar é comum, também é normal; não gosto de quem se vê errando e não tenta arrumar sua bagunça; não gosto de mim, toda errada, impura, imperfeita. Se isso está certo ou errado, não sei dizer. Mas o primeiro passo é admitir: é, eu errei e depois não parar por aí. Afinal, se é o primeiro passo, outros estão por vir, senão não seria o primeiro, e sim, o único. Exije cautela. No meio do percurso é possível que eu erre de novo. Mas, ei, não estou prometendo que irei acertar sempre, mas prometo não errar o tempo todo. Você me aceita assim?
Desculpe o engano. Não era pra eu te olhar assim. Desculpe o engano. Não era pra eu te querer assim. Desculpe o engano. Não era pra eu pensar em você assim. Desculpe o engano. Eu me enganei assim. Desculpe o engano. Pode me culpar assim. Desculpe o engano. Pode me enganar assim. (Des)culpe o engano. Pode (des)enganar assim.
Culpe assim. Desculpe o engano. Engane assim. Engane-se em mim. Assim.